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Relator recomenda suspensão de 30 dias a deputado Lucas Bove por violência política de gênero na Alesp

Deputados Lucas Bove e Mônica Seixas batem boca no plenário da Alesp, em setembro de 2025 O relator do processo no Conselho de Ética da Alesp, deputado Emíd...

Relator recomenda suspensão de 30 dias a deputado Lucas Bove por violência política de gênero na Alesp
Relator recomenda suspensão de 30 dias a deputado Lucas Bove por violência política de gênero na Alesp (Foto: Reprodução)

Deputados Lucas Bove e Mônica Seixas batem boca no plenário da Alesp, em setembro de 2025 O relator do processo no Conselho de Ética da Alesp, deputado Emídio de Souza (PT), recomendou a suspensão do mandato do deputado Lucas Bove (PL) por 30 dias, em vez da cassação inicialmente cogitada em processo por violência política de gênero. Em parecer divulgado nesta sexta-feira (24), Emídio considerou procedente a representação apresentada por Mônica Seixas (PSOL). Ao avaliar a gravidade da conduta, porém, decidiu aplicar uma pena intermediária. O caso se refere a uma sessão realizada em setembro do ano passado, quando Bove discutiu com Mônica no plenário, após a deputada afirmar que ele estaria intimidando outra parlamentar (veja vídeo acima). O Conselho de Ética da Alesp deve se reunir na próxima quarta-feira (29) para votar o parecer e decidir se Bove será ou não suspenso. Bove também é réu em um processo de violência doméstica e psicológica e perseguição contra a ex-mulher, a influenciadora Cíntia Chagas. A denúncia foi aceita pela Justiça em novembro passado. Proporcionalidade Em seu parecer, o relator reconheceu violação ao decoro parlamentar e elementos de violência política de gênero, mas argumentou pela suspensão como medida "proporcional e adequada". "O que emerge dos autos não é um momento de exacerbação retórica, mas um padrão de conduta. E padrões, ao contrário dos impulsos, têm direção. A direção, aqui, não aponta para o debate de ideias, mas para a deslegitimação da interlocutora." —Emídio de Souza (PT), relator do processo. Além disso, Emídio escreveu em seu parecer que "o espaço político não pode ser utilizado como ambiente de constrangimento sistemático, sob pena de comprometimento de sua própria legitimidade". No documento, Emídio justificou: "A suspensão do mandato [...] cumpre dupla função: repressiva, ao impor consequência concreta e imediata à conduta incompatível com o decoro; e pedagógico-institucional, ao reafirmar [...] os limites do exercício legítimo da atividade parlamentar." A deputada Mônica Seixas afirmou que a Alesp tem histórico de redução de penas a agressores de mulheres, mas que será uma "vitória das mulheres" Bove terminar afastado. "O contrário seria muito corporativismo masculino. Um mês é uma advertência, um recado do parlamento." Bove, por sua vez, afirmou sofrer "perseguição política das feministas" e que discussões acaloradas são comuns em plenário. "Trato com igualdade todos os parlamentares, sendo contundente em minhas argumentações independentemente do gênero de quem está do outro lado." Deputado Lucas Bove (PL) bate-boca na Alesp Alesp Próximos passos Se o parecer do relator for acompanhado pela maioria do Conselho de Ética na próxima quarta-feira, um projeto de resolução será proposto para confirmar a pena. Este projeto tem que ser votado em plenário, com todos os deputados. O conselho também pode votar pelo arquivamento. O colegiado composto em sua maioria por deputados da base do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), como Bove. No mandato passado, o deputado Fernando Cury (então no Cidadania) foi suspenso por seis meses por passar a mão em colega. Já Arthur do Val (à época no União Brasil) teve o mandato cassado após o vazamento de áudios com falas consideradas machistas e misóginas sobre refugiadas ucranianas. Deputado do PL em bate-boca durante sessão da Alesp em setembro Leia abaixo a íntegra dos posicionamentos dos deputados: Mônica Seixas (PSOL) A Alesp tem um histórico de minorar penas a agressores de mulheres o tanto quanto possível. Wellington Moura que disse que ia colocar um cabresto em minha boca saiu sem nenhuma punição e depois foi condenado pela Justiça. Fernando Cury que assediou Isa Penna foi condenado a prisão e a Alesp só o afastou por alguns meses. Bove responde na Justiça. É réu nesse mesmo caso contra mim. E na Justiça comum por violência doméstica contra Cíntia Chagas. Eu pedi o que julgo justo. Mas sei que o relator construiu a proposta de pena que julga possível e aponta para que ele não saia impune. Eu acredito nisso. Ainda que o resultado final não seja o que eu pedi será uma vitória das mulheres ele terminar afastado. O contrário seria muito corporativismo masculino. Um MÊS é uma advertência, um recado do parlamento que diz: não faça mais isso. Lucas Bove (PL) Esta nova denúncia, a quinta em um ano, é mais um capítulo da perseguição política das feministas contra um deputado que defende a família, os valores cristãos e que tem 22 leis relevantes sancionadas em três anos. Discussões acaloradas são comuns em plenário, onde trato com igualdade todos os parlamentares, sendo contundente em minhas argumentações independentemente do gênero de quem está do outro lado. Tenho excelente relação com a maioria das deputadas da Casa, inclusive com as do PT, porém este pequeno grupelho que não tem trabalho para mostrar precisa desse tipo de atenção em período eleitoral.